Pular para o conteúdo
Início » Saiba Tudo Sobre o Maior Acidente Radiológico que o Brasil já teve e que foi contado na Minissérie “Emergência Radioativa”, da Netflix

Saiba Tudo Sobre o Maior Acidente Radiológico que o Brasil já teve e que foi contado na Minissérie “Emergência Radioativa”, da Netflix

O acidente com Césio-137 em Goiânia foi contado na minissérie “Emergência Radioativa” e explora a maior tragédia radiológica do Brasil...
✨ Tempo estimado de leitura: 9 min! ✨

Hoje vamos falar sobre um assunto bastante sério e triste, sem precedentes na história do Brasil e do mundo também. Vamos falar sobre o Acidente Radioativo de Goiânia com o Césio-137. Você já tinha ouvido falar sobre esse acontecimento, antes da minissérie nova da Netflix, chamada “Emergência Radioativa”? Bora lá então entender um pouco sobre tudo isso! ☢️

Um pouco sobre radioatividade e sobre o Césio 137

Não quero me alongar muito sobre o tema, mas precisamos definir alguns conceitos importantes, antes de seguirmos com esse assunto. Quando um ser vivo se expõe a uma fonte radioativa alguns problemas vão acontecer dentro das células, como danos no DNA, quebras de moléculas e/ou morte de células. A gravidade desses processos pode variar dependendo do tipo da radiação, tempo de exposição e distância da fonte radioativa.

É importante também entendermos um pouco sobre o que é radiação. Radiação é a energia emitida por uma fonte que se propaga pelo espaço, podendo viajar tanto na forma de ondas quanto de partículas. Porém ela não é, necessariamente, algo perigoso: é apenas energia em movimento. O risco depende do tipo de radiação e de como ela interage com o corpo.

Mas o que é Césio-137?

O Césio-137 é um isótopo radioativo do elemento químico césio, ou seja, uma versão do átomo que possui um núcleo instável e, por isso, libera radiação ao longo do tempo. E o tipo de radiação que esse elemento emite e a forma como ele entra em contato com o organismo é o mais perigoso! Esse material radioativo libera radiação beta e gama, sendo esta última altamente penetrante, capaz de atravessar tecidos do corpo com facilidade.

Além disso, o césio-137 pode se espalhar, pois é um pó fino, o que facilita sua inalação ou ingestão. Quando isso acontece, o problema deixa de ser apenas externo: o material passa a emitir radiação de dentro do corpo, atingindo continuamente células e órgãos daquele que foi contaminado.

Mas o que afinal aconteceu em Goiânia?

Na região central de Goiânia, no ano de 1987, um hospital radiológico desativado deixou, de forma imprudente e irresponsável, um aparelho de radioterapia abandonado entre os escombros do prédio. Sem qualquer tipo de isolamento ou sinalização adequada, o equipamento permaneceu acessível por dias, até que dois catadores de materiais recicláveis, Wagner Mota Pereira e Roberto dos Santos Alves, encontraram a peça e decidiram levá-la para um ferro-velho, pertencente a Devair Alves Ferreira, na tentativa de obter algum valor com o metal.

O que parecia apenas um objeto pesado e promissor escondia, na verdade, uma cápsula contendo Césio-137, um material altamente radioativo utilizado em tratamentos médicos. Ao abrirem o equipamento, o grupo encontrou um pó de coloração azulada que emitia um brilho incomum no escuro, o que despertou curiosidade e fascínio. Sem compreender o perigo, o material foi manuseado livremente e distribuído entre amigos, vizinhos e familiares.

A aparência brilhante e a textura fina do pó contribuíram para que ele fosse facilmente espalhado, aderindo à pele, roupas e objetos. Algumas pessoas chegaram a manusear o pó e se alimentar em seguida, ampliando ainda mais a contaminação. Nesse momento, sem que percebessem, iniciava-se o maior acidente radiológico da história do Brasil, o Acidente com o Césio-137 em Goiânia.

..e como esse acidente se desenrolou?

Com o passar dos dias, começaram a surgir sintomas como náuseas, vômitos, tonturas e queimaduras na pele, sinais típicos de exposição à radiação. A gravidade da situação só foi reconhecida quando uma das pessoas contaminadas levou consigo parte do material, o que permitiu a identificação da substância radioativa, pela vigilância sanitária. A partir daí, as autoridades iniciaram uma operação de emergência para conter a contaminação, isolar áreas afetadas e tratar as vítimas.

O acidente deixou centenas de pessoas contaminadas, dezenas com exposição grave e quatro mortes confirmadas. Além do impacto humano, houve também profundas consequências sociais e ambientais, com áreas sendo interditadas, casas demolidas e toneladas de material contaminado, precisando ser cuidadosamente armazenadas. O episódio se tornou um marco trágico, evidenciando os riscos da negligência no manejo de materiais radioativos e a importância de protocolos rigorosos de segurança.

Diferença entre uma pessoa exposta à contaminação e uma pessoa fonte de contaminação

Essa foi uma questão central que gerou medo, preconceito e até dificuldade no atendimento às vítimas do Acidente com o Césio-137 em Goiânia. Muitas pessoas passaram a evitar qualquer contato com os contaminados, inclusive profissionais de saúde, justamente pela falta de informação sobre como a radiação age no corpo.

Quando uma pessoa é apenas exposta à radiação, ela não se torna radioativa nem transmite radiação para outras pessoas; ela apenas sofre os efeitos dessa exposição, que podem variar de sintomas leves a quadros graves, dependendo da dose recebida.

Já quando ocorre a contaminação, ou seja, quando o material radioativo, como o Césio-137, entra em contato direto com o corpo por ingestão, inalação ou aderência à pele, roupas ou cabelos, a situação se torna mais delicada. Nesse caso, a pessoa não está apenas exposta, mas passa a carregar consigo a substância radioativa, tornando-se uma fonte contínua de radiação. Isso significa que ela pode irradiar o próprio corpo de dentro para fora e também expor outras pessoas ao seu redor.

Mas como descontaminar uma pessoa contaminada com Cesio-137?

O primeiro passo é retirar as roupas, já que elas podem concentrar grande parte da contaminação. Em seguida, a pele e os cabelos são lavados cuidadosamente, geralmente com água e sabão, para eliminar os resíduos do pó radioativo. Em algumas situações também pode ser utilizada uma solução de água com vinagre, que, por ser levemente ácida, ajuda a desprender partículas aderidas à pele, facilitando sua remoção — embora não tenha qualquer efeito sobre a radiação em si.

Quando há ingestão ou inalação do material, o tratamento vai além da limpeza externa. Nesses casos, utiliza-se um medicamento chamado Azul da Prússia, que ajuda o organismo a eliminar o césio mais rapidamente. Dessa forma, a descontaminação atua tanto externamente, removendo o material da superfície do corpo, quanto internamente, reduzindo o tempo de permanência da substância no organismo. Além do Azul da Prússia, um medicamento chamado Fator Estimulador de Colônias (CSF) também foi utilizado nos pacientes contaminados por Césio-137, ajudando a estimular a produção de células sanguíneas na medula óssea.

Lembrando que todas essas etapas, geram lixo radioativo, como as roupas a ser descartadas, fezes e urinas dos indivíduos contaminados. Lixo esse que deve ser adequadamente destinado a um local distante e devidamente isolado com concreto.

Como estão os pacientes contaminados e expostos ao Cesio-137 hoje?

Hoje, quase quatro décadas após o Acidente com o Césio-137 em Goiânia, a situação das pessoas expostas e contaminadas pelo Césio-137 varia bastante, dependendo do nível de exposição que cada uma sofreu.

Muitos dos sobreviventes seguem vivos e são acompanhados até hoje por programas de saúde, com monitoramento regular. Parte deles conseguiu levar uma vida relativamente normal, especialmente aqueles que tiveram contato mais leve com a radiação. No entanto, pacientes que sofreram contaminação mais intensa desenvolveram, ao longo dos anos, problemas de saúde como alterações na tireoide, distúrbios no sistema imunológico, complicações dermatológicas e um risco maior de alguns tipos de câncer.

Além dos efeitos físicos, há também impactos psicológicos e sociais que persistem. Muitos enfrentaram preconceito, medo da população e dificuldades de reinserção social na época, e alguns ainda carregam essas marcas emocionais. Por isso, o acompanhamento dessas pessoas não é apenas médico, mas também psicológico.

O Devair Alves Ferreira, o dono do ferro-velho faleceu 7 anos após o acidente de parada cardiorrespiratória. Roberto dos Santos Alves (um dos catadores que abriram a cápsula) teve seu braço direito amputado devido às graves queimaduras radiológicas provocadas pelo contato direto com a fonte e Wagner Mota Pereira (o outro catador) teve sequelas oriundas da radiação, porém os dois continuam vivos. As 4 primeiras vítimas fatais do acidente foram Leide das Neves Ferreira (6 anos), Maria Gabriela Ferreira (37 anos), Israel Baptista dos Santos (20 ou 22 anos) e Admilson Alves de Souza (18 anos). Elas faleceram devido à síndrome aguda da radiação poucas semanas após a ruptura da cápsula contendo césio-137.

A minissérie da Netflix, “Emergência Radioativa”

A Netflix fez um ótimo trabalho ao contar essa história de forma detalhada e angustiante. Ao longo dos episódios, a narrativa evidencia não apenas o impacto físico da radiação, mas também o caos social, o medo coletivo e o despreparo inicial das autoridades diante de uma situação inédita. A minissérie funciona como um alerta sobre os riscos da negligência no manejo de materiais radioativos e a importância da informação. Vale a pena assistir!

Gostou do conteúdo de hoje?

Gosto quando a arte se propõe a contar uma história real com tanta riqueza de detalhes e sendo tão fiel ao acontecido. Gosto também quando a minissérie dá rostos aos principais personagens dessa grande tragédia brasileira e que marcou a vida de tantos. Vale assistir para ter algumas horas de suspense, mas também de reflexão sobre como a irresponsabilidade de alguns pode causar tantas consequências inimagináveis.. ☢️🥺

“No site Giconecta, você encontrará uma variedade de conteúdos que abordam desde lazer, bem-estar, música, viagens, até boas séries, artes e diversão. Você pode acessar o site clicando aqui!

Além do Blog, também compartilho conteúdos incríveis em outras plataformas:

Se quiser acompanhar dicas para mais conteúdos sobre Artes e Entretenimento, você encontra aqui sobre entretenimentomúsicaséries e cinema, artes e diversão e além disso, até teatro e dicas de livros bem legais! Afinal, continue explorando nosso site. Preparamos os textos com bastante carinho e esperamos que gostem! Boa leitura a todos!”

Gisella é Bióloga, formada pela Universidade de São Paulo (USP) e Tecnóloga Oftálmica, formada pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Ama artes, música, diversão e investimentos! Escrever tem sido sua paz atual, onde encontra tranquilidade para a mente! Gosta de compartilhar conexões com assuntos que domina e que está aprendendo a dominar! ❤️